A Joana. Facilitadora de mudança e defensora de um estilo de vida minimalista e regenerativo.
Atraída e inspirada pelo mar e por Jacques Costeau, desde pequena que o local onde me sinto mais serena e completa é junto à água. Apesar disso, descobri recentemente que o contacto com a floresta e a terra, traz-me um bem-estar diferente, que me surpreendeu, mas que tendo perscrutado nas minhas memórias mais antigas, conheci em criança e já não me lembrava.
Engenheira do Ambiente de formação, curiosa e apaixonada por aprender e por fazer por mim, trabalhei nos últimos anos, entre 2017 e 2019, em turismo e até recentemente a desenvolver um projeto e negócio em turismo responsável, a The Great Village. Mas em 2020, com a pandemia, a vontade que já tinha de promover a mudança ganhou uma nova dimensão.
O tempo das pequenas mudanças estava a dar lugar à mudança maior, que hoje, acredito que todos teremos de fazer nos próximos anos,  e que decidi iniciar.

“Sê a mudança que queres ver no mundo” Mahatma Gandhi

Apesar disso, e em simultâneo, comecei a intensificar as mudanças que estavam ao meu alcance, de forma mais imediata, e que estão mais ou menos, ao alcance de todos nós. Partilho convosco, e muito brevemente, apenas três das que fiz.
[A Alimentação] 2020 foi finalmente o ano em que adotei um regime alimentar de base vegetal. Hoje, os produtos de origem animal que ainda consumo são muito poucos e continuo a fazer um esforço para os eliminar da minha dieta. Para além disso, a minha preocupação sobre o que consumo intensificou-se quanto à origem e sazonalidade dos produtos. Se há mais de dez anos que vou aos mercados biológicos de Rua, em Lisboa, ainda há alturas em que faço compras durante a semana ou de última hora noutros locais e a abordagem que adotei, tem um nome que descobri recentemente – “climatarian”. Esta, apesar de não excluir necessariamente a carne, tem a preocupação de reduzir os impactes da dieta alimentar nas alterações climáticas. Se os produtos vem do outro lado do mundo ou se são produzidos localmente, tem impactes muito distintos e são esses impactes que procuro evitar quando escolho entre umas pêras do Oeste ou umas uvas da Argentina.
                                         
[Os resíduos orgânicos] este foi outro dos aspetos que decidi que teria de mudar. Vêm da terra e à terra devem voltar! Não podemos perpetuar esta descontinuidade no ciclo dos nutrientes que empobrece os solos e continuar a alimentar um problema de gestão de resíduos, particularmente nas cidades. Assim, aproveitei o programa Lisboa a compostar para começar, de forma regular, a depositar estes resíduos no compostor comunitário da área onde resido. A deposição dos resíduos é facilitada com a utilização de um código num cadeado, permitindo aos utilizadores a sua ida à hora que mais lhes for conveniente. Perfeito!
                                       
[A mobilidade] esta era (e ainda é) verdadeiramente uma pedra no meu sapato. Depois de quase dez anos a fazer trajetos diários entre o centro de Lisboa e Alenquer, trabalhar no turismo permitiu-me reduzir os km que fazia diariamente e fazer alguns sobre a água a velejar 😉 mas mais recentemente e por questões profissionais, voltei a ter de pegar com maior frequência no carro.
Hoje, apesar disso, já dei mais um passo na direção de uma mobilidade suave. Investi numa bicicleta convencional, a minha primeira bicicleta, por incrível que pareça! e sempre que posso, uso-a para deslocações dentro da cidade de Lisboa. Ah e para quem se questiona se é elétrica… não, não é. Depois de alguma pesquisa e conversas com pessoas com muita experiência no uso diário deste meio de transporte, acabei por optar por uma bicicleta convencional. Os motivos acabaram por ser de ordem diversa, mas acreditem que aquelas colinas lisboetas que pareciam impossíveis de fazer numa bicicleta “normal” também se fazem! e a sensação depois de as subir é fantástica e de ter ultrapassado mais um limite, que provavelmente tinha imposto a mim própria! Consegui 😉
O meu avô, João Gaspar, que nunca conheci, mas que é o meu antepassado com o qual mais me identifico, por todas as memórias que recebi dele ao longo dos anos, pela minha família. Um desportista, enfermeiro, humanista e… ciclista!
Existem muitos outros pequenos gestos que tenho vindo a adotar, e continuo a acreditar que podem fazer a diferença, mas neste momento, a minha convicção é que por si só,  já não serão suficientes. O tempo é escasso.

“É tempo de fazermos as pazes com a natureza” António Guterres